quinta-feira, setembro 06, 2012

Vó,

            Acho que me precipitei ao dizer que estava preparada para qualquer tipo de notícia. Mesmo quando imaginamos, a sensação real é muito diferente. Foi difícil entender o teu adeus silencioso, a tua despedida que nem ao menos chegou aos meus ouvidos. Lembro-me da última vez em que te visitei. Tu segurou minha mão e falou “nunca deixe de vir me visitar, tu não sabe quanta falta tu faz pra mime como é difícil estar longe de casa”. Hoje eu sei, e te prometi que jamais abandonaria.

         E eu juro, naquela terça-feira eu iria te visitar. Mas algo maior nos impediu uma despedida.  Quando recebi a notícia – meio que por acaso – eu me culpava e me perguntava o porquê de ter adiado minha visita, de não ter voltado no tempo e evitado tantas coisas. Eu sei, agora já é tarde, vó. Ao te ver rodeada de pessoas, nenhum abraço no mundo me traria de volta a sensação de te ter por perto. Mas foi o que recebi: abraços. Alguns sinceros, outros nem tanto. Como dizem por aí, o que vale é a intenção. E quantas intenções! Mas dentro de mim, nada disso - nada mesmo – me tranqüilizava. A frieza das pessoas me incomodava, mais que o frio lá fora. Mas eu te prometo não guardar mágoas de ninguém, embora ache que tenha motivos pra isso. Desculpa, é meu jeito.

          Hoje, um ano se passou. Tanto tempo deveria ter curado a dor, né? Mas me mentiram, vó, o tempo não cura nada, só disfarça. Enquanto aprendo a superar, tua lembrança é constante. Durante 15 anos de minha vida, tu esteves sempre por aqui, me ajudando, me guiando e me ensinando a conviver com os mais diferentes tipos de pessoas e de desafios. O que me consola é que fizestes a tua parte, e agora, descansa merecidamente. Durma bem, vó.

Texto escrito em 06 de setembro de 2011 e postado na hora certa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Elementares