sábado, fevereiro 14, 2015

Jam


Imagino que vivi. Sonho que vivi. O que estou vivendo de verdade? Minhas palavras são o que sou, pois meu corpo em putrefação não me deixa nada a esperar. Amar pra quê? Pra depois escrever. Chorar pra não lembrar, apagar pra não sofrer. Minhas palavras: sou o que sou e o que faço delas, ah, isso sim não me responsabilizo. Sou ventania no deserto frio, um tapa na cara. Coisa que não existe, acordar com calor no meio do inverno. Coisa que não se sente.

Sou um delírio da sua mente. Sou as palavras que você usa. O cigarro que você fuma, o chão que você pisa. O gelo que boia no seu uísque. A ruga que se forma na sua testa enquanto se concentra.

Eu estou em toda a parte mas você não sabe me enxergar. Minhas palavras são o que sou. Esse mundo já não é mais suficiente pra mim.

Mochilão para a lua – é pra lá que eu vou. Me empresta sua bike? Na cestinha vai o violão que nunca aprendi a tocar e umas folhas amareladas com algumas palavras, que eu sou.

Tapa na cara, fogo que sobe pelas nádegas. Abre os olhos e não enxerga nada. O que sou agora?


Palavras, palavras, palavras. Tapa na cara.

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